Emigrar para o Reino Unido

Ultimamente tenho recebido várias questões sobre Inglaterra e a minha experiência pessoal como emigrante neste país.

Tomada a decisão de emigrar, muitos factores pesam na escolha do destino, e com este artigo pretendo apenas expor algumas das escolhas e dificuldades que tive ao vir para cá.

Economia

O Reino Unido é muito provavelmente a melhor escolha possível a nível económico: a libra é a moeda mais forte do mundo, e comparando com o euro, cada libra vale perto de 1.15 euros!

Os custos iniciais para quem acabou de chegar são elevados, dado que no bolso tem apenas euros que terão que converter em libras, e será impossível não andar a fazer contas de cabeça; rapidamente damos por nós constantemente a dizer “irra, que caro!!”

Em Portugal compramos um pacote de 1Kg de açúcar por cerca de 1 euro, em Inglaterra o mesmo pacote (ou o mais aproximado possível!) custará perto de 1 libra; se fizermos a conversão de moedas, é óbvio que na Inglaterra fica mais caro!

No entanto, esse pensamento não poderia ser estar mais longe da realidade, dado que para a comparação ser correcta, devemos ter em conta o poder de compra, e é aqui que a diferença é muito mais aprofundada: um emprego em Portugal que poderia render 700 euros por mês, provavelmente irá render 900 ou mais libras no Reino Unido para a mesma actividade!…

A nível de impostos, tudo depende obviamente dos valores que estamos a falar mas de início é melhor prepararem-se para ficarem sem cerca de 20% a 30% do salário base.

Habitação

Este é para mim o maior problema neste país: o mercado de aluguer é bastante forte mas com uma oferta insuficiente para a toda a procura, levando a alguma especulação e a preços elevados!

Em Londres, alugar um andar T1 pode chegar a custar qualquer coisa como 1.200 libras (~ 1.380 euros) por mês. Outras cidades inglesas tem normalmente valores mais baixos (depende obviamente da distância ao centro da cidade), a rondar as 750 libras (~ 865 euros) por mês.

Existem mesmo períodos em que é praticamente impossível encontrar um quarto ou andar para alugar, como por exemplo a altura de início das aulas, em que os estudantes tomam de “assalto” praticamente tudo o que existe!

Transportes

Metro é algo que praticamente só encontramos em Londres e em mais 2 ou 3 cidades, mas entre autocarros, comboios e táxis, Inglaterra tem uma excelente rede de transportes públicos.

Um passe de metro em Londres custa à volta de 70 libras (~ 80 euros) por semana; o passe de autocarro em Bristol fica pelas mesmas 70 libras, mas neste caso válido por um mês!

Até agora pouco viajei de carro por cá, mas as auto-estradas em que andei tinham um piso razoável, e nenhuma delas tinha portagens… mas engane-se quem pensa que aqui não há estradas pagas!!

Documentação

O Reino Unido faz parte da União Europeia (algo que poderá mudar se o actual governo prosseguir com os seus intentos), pelo que não é necessária qualquer documentação especial para entrar, habitar, trabalhar, ou sair do país: Cartão do Cidadão da República Portuguesa e Carta de Condução (se a tiver) é mais que suficiente.

No entanto, ter um Passaporte válido poderá ajudar a abrir algumas portas por estes lados (não existe um documento equivalente a um Bilhete de Identidade por estes lados, e como tal, torcem sempre o nariz quando alguém lhes apresenta um).

Emprego

Ponto único: Inglaterra não é o El-Dorado, e não deverá ser encarada como a “terra de todas as oportunidades”!

Se por um lado existe bastante oferta de emprego, um estrangeiro entrar no mercado de trabalho poderá ser uma tarefa complicada…

Os ingleses primam por cumprir com os horários religiosamente, mas é fácil de se perceber que as empresas tem um enorme respeito pela vida pessoal das pessoas, pelo que tirando algumas ocasiões mais fora do normal, é raro pedirem aos funcionários para que trabalhem fora do seu horário.

Telecomunicações

A Internet é uma miséria, estava habituado em Portugal a estar ligado por fibra óptica a 100Mbps, aqui a rede de fibra está ainda a ser implementada e muiiiito lentamente… ADSL a 18Mbps é o mais comum por estes lados.

Por outro lado, facilmente encontramos um ponto de acesso (Hotspot) aberto de forma a podermos aceder à Internet de borla!

A cobertura da rede de Telemóvel parece-me suficiente. Os preços dos pacotes oferecidos pelas operadores inglesas parecem-me mais interessantes (leia-se “mais baratos e completos”) que os disponibilizados pelas operadoras móveis portuguesas.

Em Portugal é possível comprar um equipamento topo de gama através de uma operadora, ficando associado a um contrato de 2 anos e tendo um desconto entre 5% a 15% do preço total; no Reino Unido, no mesmo sistema de compra via operadora com contrato de 2 anos, esse desconto atinge facilmente 50% ou mais ainda!

Outras diferenças

Para além do idioma e da moeda, as tomadas eléctricas são diferentes (são necessários adaptadores para os equipamentos portugueses)…

A comida é uma miséria, e para um Português habituado à “boa mesa”, isso é um enorme problema… a solução passa por cozinhar mais vezes em casa. :)

Estas são pequenas diferenças e rapidamente ultrapassamos, mas há uma que me custa a habituar: conduzir do lado esquerdo da estrada, e o volante dos carros à direita!!!

Conclusão

Estão a pensar emigrar e querem vir para Inglaterra? O meu conselho é que tentem arranjar emprego antes de virem para cá em definitivo. O LinkedIn é uma das melhores ferramentas online para procurar emprego, seja para que país for!

Antes de aceitarem qualquer proposta de emprego, tentem fazer uma curta viagem para conhecerem o local e começarem a tomar contacto com os aspectos que referi anteriormente, nomeadamente a questão de habitação.

Tentem arranjar habitação o mais próximo possível do local de emprego de forma a minimizar os custos de transportes.

Tal como disse em cima, apesar de não ser obrigatório, ter um Passaporte poderá ajudar em alguns aspectos mais burocratas!

E não esquecer: Inglaterra não é só Londres, e o que não falta são cidades inglesas bem mais baratas e com o um nível de vida semelhante ou mesmo melhor! ;)